EU SOU IGREJA?

Em tempos de pandemia mundial, muitas igrejas, em prol da prudência, têm cancelado os seus cultos e, por conseguinte, a reunião de seus membros. Em virtude disso, tem sido comum pessoas postarem como forma de encorajamento alguns bordões. “Não precisamos de templo” e “Eu sou a igreja” têm sido os mais comuns. Sei que as pessoas não o fazem de má-fé, mas será que esse pensamento está em sintonia com as Escrituras?

Quando olhamos para a Bíblia percebemos que não encontramos nela nenhuma evidência de que um só indivíduo (singular) seja a igreja. Pelo contrário, a igreja é descrita sempre no plural. O apóstolo Paulo, responsável por sistematizar o pensamento cristão, se refere à igreja como “corpo” em muitas de suas cartas (Rm 12.4-5; 1 Co 12.12; Ef 5.29-30; Cl 1.18 etc). Ora, um corpo é composto de muitos membros e, aí sim, os cristãos, individualmente falando, entram em cena. Dizer que somente um indivíduo é a igreja é negligenciar a definição de igreja do Novo Testamento. Ademais, Deus nunca teve para si um único indivíduo, mas um povo! Israel no Antigo e a igreja no Novo Testamento. O pensamento individualista da pós-modernidade não pode fazer com que percamos isso de vista.

“Não precisamos de templo!”. Bom, isso é verdade! A igreja nunca precisou de um templo para existir. Desde o período dos apóstolos, a igreja sempre foi um movimento, que só necessitava de um local para reunir os membros, a fim de que pudesse ter o “corpo”. Posteriormente, a igreja veio a se tornar também uma instituição que, por sua vez, quando bem utilizada, impulsiona o movimento! Assim sendo, embora não necessitemos de um templo, necessitamos, sim, de um local para reunir os membros em um só corpo.

Diante disso nos entristecemos, pois em nome da prudência, por amarmos o nosso próximo e entendermos que estamos glorificando a Deus com isso, temos cancelado nossas reuniões públicas para vencermos um inimigo poderoso: o Coronavírus. Quem ama a Jesus, que é o Cabeça da igreja, e ama a própria igreja, que é o corpo, sente falta da congregação. Entretanto, mesmo distantes da congregação podemos e devemos viver uma vida que glorifique a Deus.

Assim foi com Daniel e seus amigos que, mesmo distantes de Jerusalém e do Templo, que desempenhava função central na religião judaica, viveram suas vidas para a glória de Deus. Na Babilônia, um ambiente muito hostil, Daniel foi capaz de dar prosseguimento à sua vida de adoração a Deus, mesmo distante de sua terra e do Templo judaico. Isto porque uma vida de adoração, sim, é individual e não depende nem de hora e de local. Adoração é viver integralmente para a glória de Deus. Hoje estamos exilados num ambiente bem menos hostil que a Babilônia: nossos lares.

Portanto, tenhamos em mente que é sim possível viver uma vida autêntica como membros do corpo de Cristo, mesmo estando momentaneamente impossibilitados de nos reunirmos como igreja. Eu não sou a igreja, mas me alegro por fazer parte dela e sei que, dentre em breve, pela graça de Deus, ela voltará a se reunir.

“Vós sois o corpo de Cristo e, individualmente, membros desse corpo” (1 Coríntios 12.27)

Igor Alexandre Botelho

 

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